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Como escrever copy que converte em plataformas B2B

Como escrever copy que converte em plataformas B2B

No B2B, o copy não vende para uma pessoa. Vende para um comitê. Entender quem lê cada parte da plataforma muda o que precisa ser escrito em cada ponto.

  • O comitê é o leitor real
  • O erro mais comum
  • Hierarquia de mensagem
  • A nuance que poucos enxergam
  • Prova social no contexto certo
  • A posição da VM2
Estratégia
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Em plataformas B2B, o processo de decisão raramente envolve uma única pessoa. O usuário que vai usar o produto não é quem assina o contrato. Quem assina o contrato não testou o produto. O gestor financeiro avalia o custo sem entender a funcionalidade. O TI avalia segurança sem se importar com a interface.

Cada um desses perfis lê a mesma plataforma com objetivos diferentes. Copy genérico não convence nenhum deles.


O comitê é o leitor real

Segundo o State of Business Buying Report 2024 da Forrester, a decisão típica de compra B2B envolve em média 13 stakeholders, e quase 89% das decisões atravessam mais de um departamento. A Gartner trabalha com faixa parecida: comitês de compra B2B típicos têm entre 6 e 10 decisores em soluções complexas, podendo chegar a mais em deals enterprise. Em 2017, a Harvard Business Review já indicava 6,8 stakeholders em média. O número quase dobrou em uma década.

A consequência prática é direta. Quem escreve copy para plataforma B2B não está falando com uma pessoa. Está falando com um grupo onde cada membro entra na conversa com uma pergunta diferente. E o pior: segundo pesquisa da Gartner de 2024 com 632 compradores B2B, 74% dos comitês de compra apresentam o que a empresa chama de “conflito não-saudável” durante o processo de decisão. Conflito não-saudável é quando os membros do comitê têm objetivos conflitantes, discordam do melhor caminho, ou são atropelados por decisores externos.

Comitês que chegam a consenso são 2,5 vezes mais propensos a relatar que a decisão foi de alta qualidade. O copy bem feito não atende apenas a cada perfil individualmente. Reduz o atrito interno do comitê.


O erro mais comum

A maioria das plataformas B2B escreve para o usuário final. A pessoa que vai operar o sistema no dia a dia. Isso faz sentido intuitivamente: é quem vai usar. Mas quase nunca é quem decide a compra.

O resultado é copy cheio de features e funcionalidades, como “gestão de tarefas em tempo real” ou “integração com 40 ferramentas”, que não responde a pergunta que o decisor está fazendo: qual o impacto disso no meu negócio?

A inversão também é comum. Algumas plataformas escrevem só para o decisor de alto nível, com promessas grandes de ROI e transformação, e esquecem que o usuário e o avaliador técnico também precisam de informação. O comitê chega ao final do processo com o decisor convencido e o time técnico levantando todas as objeções que a página não respondeu. O deal trava.


Hierarquia de mensagem

Uma plataforma B2B eficaz tem pelo menos três camadas de mensagem, cada uma endereçando um perfil diferente do comitê.

A primeira camada, composta por headline, hero e proposta de valor, fala com o decisor. Resultado de negócio, não feature. Hipoteticamente: “Reduza o tempo de aprovação de contratos em até 60%” comunica algo diferente de “fluxo de aprovação automatizado”. O primeiro mostra impacto, o segundo descreve mecanismo. Quem está pagando lê o primeiro com mais atenção.

A segunda camada, com funcionalidades, casos de uso, demos e screenshots, fala com o usuário e com o influenciador técnico. Aqui os detalhes importam. Como funciona o fluxo. Quantos cliques pra aprovar. Que integrações existem. Esse leitor avalia se a plataforma vai facilitar ou complicar a rotina dele. Texto vago aqui dispara o ceticismo.

A terceira camada, com segurança, SLA, integrações, contratos, compliance e certificações, fala com TI, jurídico, segurança e procurement. Costuma estar em rodapé, páginas secundárias ou documentação técnica. Mas precisa existir e estar acessível. Quando o time de TI não acha a informação que precisa em 30 segundos de navegação, a plataforma cai do shortlist.


A nuance que poucos enxergam

Existe um ponto contraintuitivo aqui. A Gartner, na mesma pesquisa de 2024, observou que conteúdo excessivamente individualizado para cada membro do comitê pode prejudicar o consenso em até 59%. Já conteúdo desenhado para a relevância do grupo como um todo aumenta o consenso em até 20%.

A explicação é simples. Quando cada membro do comitê encontra um argumento perfeitamente alinhado às prioridades pessoais, ele reforça a visão particular dele em vez de considerar a visão coletiva. Vira viés de confirmação, não decisão compartilhada.

Na prática isso quer dizer: cada camada precisa endereçar um perfil, mas a narrativa geral da plataforma precisa ser uma só. O decisor, o usuário e o TI devem sair da página com a mesma compreensão do que a plataforma é e do problema que resolve. O que muda entre as camadas é o nível de detalhe e o tipo de prova, não o argumento central.


Prova social no contexto certo

Depoimentos de usuários convencem usuários. Casos de sucesso com métricas de negócio convencem gestores. Certificações e compliance convencem TI. Logos de clientes reconhecidos convencem todos os perfis simultaneamente, e por isso costumam aparecer perto do hero.

Usar a mesma prova social para todos os perfis é desperdiçar metade do potencial de conversão da página. E pior, é deixar lacuna onde algum membro do comitê pode levantar objeção que ninguém responde.


A posição da VM2

Em projetos de plataforma B2B, a definição do copy não começa pelas frases. Começa pelo mapeamento do comitê de compra do cliente. Quem participa, quais são as agendas individuais, e qual é o argumento que todos podem subscrever em conjunto.

O texto vem depois desse trabalho. Sem essa etapa, copy de plataforma B2B vira lista de features ou promessa vazia. As duas coisas convencem menos do que parecem.


Fontes consultadas: Forrester, The State of Business Buying Report 2024; Gartner, B2B Buying Group Research (2024-2025); Harvard Business Review, The New Sales Imperative (2017).

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